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Majestade, se não voltarmos a morrer, não temos mais futuro. (José Saramago, Um tempo sem morte) Com estas palavras, o ministro dirige-se ao rei no romance de José Saramago. Num país onde, desde o início do ano, ninguém morre, surgiu uma máfia que se dedica a transportar doentes terminais para além da fronteira, onde podem morrer. Também na Alemanha, nos últimos anos, surgiu um intenso turismo da morte. O número de pessoas gravemente doentes que viajam para a Suíça devido à possibilidade de eutanásia aumentou consideravelmente nos últimos anos. Provocar ativamente e intencionalmente a morte de uma pessoa é punível na Alemanha, mesmo sob a forma de eutanásia ativa. Além disso, os médicos enfrentam consequências profissionais que podem chegar até à retirada da licença para exercer a profissão: Não é permitido prestar ajuda ao suicídio, diz o § 16 MBO-Ä. Quais são os desafios legais e éticos que o desejo de morte do paciente coloca ao médico? Que restrições lhe são impostas na Alemanha pelo direito penal e pelo código deontológico? E como poderia ser uma alternativa digna do paciente e do médico?