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A ditadura marcou o auge da Base Industrial de Defesa brasileira, consolidando a Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento, sob influência estadunidense. Projetava-se um crescimento econômico através da criação de uma indústria bélica protegida de ponta a ponta, impulsionada pela ’ameaça comunista’ e, adiante, pela ’guerra às drogas’. O mercado interno cativo sustentaria a vocação exportadora da indústria, cujo controle pelos militares seria a principal moeda de troca na transição negociada para a democracia. O Brasil se inscrevia no circuito global da mobilização permanente para a guerra, travada, aqui, no plano interno, e financiada, notadamente, pela transferência de recursos sociais para a segurança pública. Tal deslocamento de verbas é estudado, nesta obra, em relação aos orçamentos anuais do RJ. Analisa-se a fusão mística entre oferta e demanda, o encontro de uma oferta real de produtos e serviços engendrados pela ’guerra às drogas’ com uma demanda artificial, perenizada, especialmente ativada durante emergências econômicas, concentrada nas mãos do Estado, mas toda atravessada pela iniciativa privada, e alheia às oscilações do consumo individual. A função (político econômica) não declarada da ’guerra às drogas’, de alimentar um privilegiado e peculiar campo de acumulação de capital em tempos de recessão crônica, seria viabilizada através da seletividade racista do sistema penal, atualizada pela 3ª revolução tecnocientífica e a eclosão do neoliberalismo no Brasil. 10