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A formação do Brasil colonial foi guiada por uma lógica mercantilista que uniu fé, lucro e dominação. Impulsionado pela expansão marítima europeia do século XV, Portugal transformou o novo território em uma colônia de exploração, onde o valor de um reino se media pelo ouro acumulado e pelo controle das rotas comerciais. Sob o discurso da evangelização, a catequese dos povos indígenas mascarava um projeto político e econômico: converter, dominar e extrair. A cruz e a espada caminharam lado a lado, impondo a língua portuguesa e destruindo culturas originárias. Quando a escravização indígena tornou-se limitada, iniciou-se o tráfico transatlântico, trazendo milhões de africanos para sustentar a economia açucareira, mineradora e portuária. Corpos foram transformados em mercadorias, e vidas, em capital. O sistema escravista, longe de ser um 'mal necessário', foi um pilar da estrutura colonial - um instrumento do Estado e da Igreja em nome do lucro e da fé. O Brasil nasceu da fusão entre mercantilismo, religião e violência. O Recôncavo Baiano, coração da produção açucareira, simboliza essa história de riqueza, silêncios e dor.